Só me certificando

Rolando o Feed do Facebook, alguém publicou uma informação: 110 milhões de doses de Cloroquina estavam sendo exportadas para o Reino Unido. Eu abri uma nova aba no navegador, e pesquisei United kingdom chloroquine.

Três palavras. O post do Facebook não continha dados, data ou mesmo qualquer informação, além de uma piada sobre a eficácia do medicamento (que não deve ser discutida aqui).

Nos primeiros resultados de buscas, um link para o jornal do Qatar Al Jazeera, e o principal canal do próprio Reino Unido, a BBC. Duas matérias bem recentes, publicadas há poucos dias. As duas matérias confirmam o mesmo fato. Estudos seriam iniciados ao fim de maio de 2020, dirigidos pela universidade de Oxford, onde mais de 40 mil infectados por Covid na Europa, Africa, Ásia e América do Sul, seriam testados para a efetividade da cloroquina e hidroxicloroquina no tratamento.

A busca pelo medicamento cresceu muito nos meses de abril e maio, especialmente depois do presidente Donald Trump ter indicado que está usando a droga para prevenção da Covid – lembrando que, semanas antes, o mesmo recomendou o uso e consumo de desinfetantes para o tratamento.

Enfim, um professor da universidade disse que não há dados suficientes para definir que quaisquer desses medicamentos são efetivos quanto ao tratamento ou cura da Covid. Por isso milhares de doses serão administradas nos países e hospitais que permitirem o estudo.

A conclusão disso tudo é: Você tem acesso a informação de qualidade.

Série – Contágio

“Por enquanto tá tranquilo. Não tem nenhum caso confirmado aqui na cidade ainda” alguém argumenta para evitar, ou furar o isolamento social. Mas a Covid-19 chega para todo mundo, especialmente na situação em que Brasil se encontra.

Toda semana, aqui no blog, é publicado ao menos um episódio da série Contágio, que mostra como a Covid-19 pode chegar mesmo às cidades pequenas do interior. O primeiro episódio acompanha Carlos, um entregador de uma distribuidora de bebidas, e um pequeno desconforto que sentiu, por ser um transmissor assintomático do novo coronavírus. A partir da entrega em apenas um mercado pequeno, acompanhamos uma das cadeias de transmissão do contágio de uma pequena cidade, que poderia ser a sua.

Ao ler os episódios da série, identifique onde os personagens foram descuidados. Onde poderiam ter evitado o contágio e onde acabaram transmitindo o vírus. Faça o possível, nas próximas semanas e nos próximos meses, para não se contaminar, e não contaminar outros.

Leia a série Contágio, no link abaixo:

Episódio 1

Episódio 2

Episódio 3

Episódio 4

Episódio 5

Eu sou um lembrete

A partir do dia 20 de abril de 2020 eu passei a sair de máscara preta em lugares públicos ou com maiores aglomerações. Vou repetir: Eu uso uma máscara quando saio de casa. Uma máscara preta.

Algumas pessoas olham ainda com cara de assustadas. Outras olham como se eu fosse maluco alarmista, afinal existem poucos casos na cidade. Existem ainda as pessoas que também usam máscara, e olham com certa empatia e identificação.

Eu não estou usando máscara somente para evitar ser contaminado. Até porque, as máscaras caseiras não tem a mesma eficácia de máscaras de profissionais de saúde. Não estou usando máscara só para não transmitir o vírus a outras pessoas. Se quem estivesse contaminado usasse máscara, com certeza os números seriam diferentes, mas este não é o caso. Estou usando máscara em lugares públicos porque eu sou um lembrete.

Eu sou um lembrete de que a humanidade de janeiro de 2020 já passou, e não vai mais voltar. Os planos, as ideias, os costumes e até mesmo hábitos populares e o contato entre as pessoas não é mais o mesmo, e não será o mesmo de 2019 nunca mais.

Eu sou um lembrete de que estamos num novo normal. Esta não é uma fase que #vaipassar logo, e todos estaremos novamente enchendo estádios e cinemas da mesma forma que fazíamos antes. Eu sou um lembrete que o mundo mudou.

E quem está vivendo suas vidas como se nada tivesse acontecendo, ou continuou normalmente no trabalho, no churrasquinho do fim de semana, na confraternização entre família e colegas, me vê e faz cara de assustado.

Para as inúmeras Dorothy’s e Totós com o qual me deparo na rua, eu uso máscara como um lembrete, caro leitor, de que não estamos mais no Kansas.

O mundo mudou. E não tem mais volta.

#ficaemcasa

Contágio #6

Episódio anterior

 – Pai, eu trouxe para o senhor e pra mãe – disse a filha do seu Odair. Eram máscaras que ela mesma fez, junto com sua sobrinha, no último fim de semana. 

  – Não vou usar isso aqui, não – disse seu Odair. 

E o resto do dia foram discussões sobre a máscara afastar os clientes, e não ter casos confirmados na cidade ainda, ou que não é uma gripezinha que vai matar seu Odair, que já sobreviveu a um câncer. 

As vendas do seu mercadinho não caíram tanto quanto pensava. Com os grandes mercados proibindo a entrada de mais de uma pessoa por família, e alguns outros comércios começando a serem multados por não respeitarem a lei da quarentena, muitas pessoas preferiram comprar em mercadinhos menores como o do seu Odair. 

Finalmente, chegou o carregamento de álcool gel. Depois de ter zerado o estoque, e ele ter ligado várias vezes para o fornecedor. 

  – Só assinar, seu Odair Ribeiro?  – perguntou o homem enorme, de máscara. 
  – Isso mesmo 
  – Assine aqui. E aqui – apontou para o papel, deixando em evidência suas luvas brancas. 

Antes de entrar no caminhão, o homem tirou as luvas com muito cuidado, e passou álcool em gel nas mãos. Esterilizou o painel e o volante. Procurou na lista qual seria sua próxima entrega. 

Seu Odair observou, da entrada do mercado. A rua parecia vazia para qualquer lado que se olhasse. 

Voltou para trás do caixa, e colocou a máscara. Se encaixou perfeitamente em seu rosto. Olhou lá para o fundo, e a filha passava pano em um dos corredores, também usando máscara e luvas de limpeza. 

Tudo parecia tranquilo, até então. 

Assim, menos pessoas seriam contaminadas. 

Sua Responsabilidade

No último sábado, dia 25 de abril de 2020, eu publiquei o primeiro texto traduzido aqui no meu blog. Este texto é um resumo do que poderia ficar fixado na sua mente depois de ter acompanhado o post do último sábado.

É um texto muito mais extenso do que todos os outros que eu faço, e contém muitas informações que achei pertinentes serem publicadas aqui. Primeiro por ser o estudo de uma epidemiologista que trabalha num instituto que orientou as decisões de mitigação e quarentena de muitas nações, como o Reino Unido, Estados Unidos e Alemanha. Então ela sabe do que está falando muito mais do que o seu presidente.

Tendo dito isso, reforço aqui aspas da doutora Britta Jewell:

Se você agir hoje, você evita quatro vezes mais infecções no próximo mês […] Esse é o poder de evitar apenas uma infecção, e obviamente nós devemos evitar mais de uma.

Britta Jewell

A infecção de que estamos falando aqui, caro leitor, é a sua. Faça um exercício de imaginação, e pense se você fosse um portador assintomático do novo SARS-Cov-2 (que possui o vírus, mas não manifesta nenhum dos sintomas). Tente se lembrar de quantas pessoas você esteve contato nas últimas duas semanas. Seja contato físico, ou mesmo a uma distância menor que 2 metros.

Conseguiu fazer uma lista mental?

Ótimo. Todas essas pessoas seriam contaminadas com o coronavírus. Todas elas, sem exceção. O vírus é muito bem transmitido pelo ar.

Com base nos modelos epidemiológicos da doutora, uma pessoa contaminada hoje, pode resultar em 2.400 pessoas contaminadas daqui um mês. Duas mil e quatrocentas pessoas contaminadas pelo descuido de apenas uma. E, seguindo as estatísticas da porcentagem de casos fatais ao redor do mundo, dessas mais de 2 mil pessoas, mais de 200 estariam mortas em até 5 semanas.

200 pessoas mortas. Por causa do descuido ou relaxamento de apenas uma.

E lá na frente, se você for testado como negativo para coronavírus, mas seu corpo já possuir anticorpos, significa que você teve o vírus, participou da contaminação de outras pessoas, e não fez nada para que as consequências fossem menores.

Eu não quero viver com esse peso nas costas.

Espero que você também não queira.