A incrível arte de não fazer nada

Eu me preocupava muito com o mundo que eu deixaria depois de ir embora. Não somente com respeito à poluição, e as toneladas de lixo que eu deixaria por aqui. Não só sobre as árvores que eu desmatei indiretamente, só para escrever meus contos à mão, ou os peidos, das vacas que eu comi, que abririam um enorme buraco na camada de ozônio.

Não era só sobre tudo isso porque, afinal esse é o básico com o que se preocupar, enquanto ser humano vivendo neste planeta de recursos meio que limitados. Se você não se preocupa com essas coisas, deveria começar a pensar nisso.

Além disso tudo, eu me preocupava com a cultura e a arte, que todos sabemos ser essencial pra a raça humana. Não só para a raça humana como um todo, como também para humanos individuais.

Minha preocupação era: Um dia eu vou morrer, e espero ter deixado algo para que as pessoas pensem “é, ele até que era legal”. Foi por isso que escrevi os poemas no meu eBook Quebra Cabeça, e é por isso que existem textos como este aqui. São pequenas marquinhas que estou deixando no universo.

E essa responsabilidade com o universo me pesava, eu confesso. Meu cochilo de sábado à tarde era interrompido pelo ímpeto de “Ei, Pedro, o que você está fazendo aí? Vá escrever e fazer a diferença no mundo!”

A grande questão é que ninguém precisa fazer a diferença no mundo. E, mesmo que você faça, não fará a mínima diferença no sistema Solar. Se você for muuito bom mesmo, e fizer diferença, a galáxia vai sequer saber da sua existência.

É com base nesse tipo de pensamento que minha digníssima me ensinou a incrível arte de não fazer nada. É perfeito. Você para, senta ou deita em algum lugar. E faz absolutamente nada. Não é fantástico? Para mim foi.

E é até hoje. É uma filosofia de vida que me move a não me mover. Aproveitar o momento sem pensar no que poderia ter sido a minha manhã de domingo se eu fizesse um romance barroco ao invés de dormir até 12h.

Essa motivação tem me levado nestes últimos dias de (quase) quarentena, e é por isso que poucos textos apareceram por aqui nos últimos dias. Aproveite a sua também. Descompromize-se.

Tchau, 2019!

Hoje eu estou feliz. Estou realmente feliz.

Não só porque é o último dia do ano, e 2020 tá chegando aí. Também porque, há exatamente um ano, estava sendo publicado neste blog o texto de número 50. Este aqui é o texto de número 150!

Então, ao invés de estabelecer aqui metas para 2020, vou recapitular algumas metas não-estabelecidas que acabei cumprindo neste ano maravilhoso de 2019…

Dois textos por semana

Eu consegui. Duvidei muito de minha capacidade, mas eu realmente consegui produzir 2 textos por semana, durante quase o ano todo. O ano tem 52 semanas e, mantendo textos novos toda terça e quinta, estamos chegando à meta de 150 textos bem aqui.

É muito difícil para mim fazer dois textos por semana. Primeiro porque eu tendo a procrastinar tudo ao máximo possível. Faço isso para todas as coisas, menos comer e dormir, que é um instinto básico. Então, seguindo essa mesma linha de raciocínio, o Coisas de Pedro se tornou praticamente um instinto básico do Pedro.

Na verdade, não. Isso aconteceu porque, geralmente, eu sento e escrevo textos para duas ou três semanas. Teve muitas vezes que eu esqueci que não tinha texto programado, e escrevi o texto faltando 5 minutos para publicar. Algumas outras vezes eu tinha textos para os dois meses seguintes. Isso tudo facilitou para que eu postasse toda semana, duas vezes por semana, às 10h15 da manhã.

Escrever em todo lugar

Eu realmente bati essa meta. Escrevi textos antes de dormir, no caderno. Escrevi usando meu notebook, que acabou pifando de novo. Escrevi na fila do médico. Escrevi também enquanto esperava minha digníssima sair do serviço dela.

Antigamente meus métodos consistiam em: Eu tinha uma ideia, anotava a ideia e sentava para escrever depois. O problema é que, depois que a situação passava, a anotação perdia o sentido. Eu olhava meu bloquinho de anotações e tava tipo “doença, tempo atrasado…” e quando eu parava para escrever, passava mais tempo tentando me lembrar do que eu queria dizer com a anotação do que escrevendo propriamente.

Agora eu escrevo. O texto inteiro. Mesmo que tenham só dois parágrafos. Mesmo que não seja bom. E eu nunca garanti que fosse.

Em 2020

Bom, 2020…eu não sei o que vem por aí. Eu realmente não sei. Eu decidi, assim como este ano, não estabelecer meta nenhuma.

O que vem me motivando a seguir criando e inovando é saber que, toda terça e quinta, às 10h15 da manhã, um texto novo será publicado nisso aqui. E o que mais me ajuda a não procrastinar na vida, além da minha querida editora-chefe, com certeza é continuar fazendo coisas…de Pedro

Crise Criativa

– Preciso avisar aos meus colegas de equipe, que essa ideia já foi usada. Texto número 49. Virada. 25 de dezembro de 2018.
– É, ele está certo. Esse negócio de alienígenas observando a terra, e a inutilidade da virada de ano.
– Ah…
– Já faz um ano, isso?
– Já.
– Estamos no meio de uma crise criativa, time. Temos que fazer algo a respeito. E o maior problema não é que não estejamos tendo ideias. A questão é que estamos tendo ideias repetidas. Nós já pensamos em roubar ideias de outros blogs ou livros, mas não dá muito certo. E agora estamos chegando aos 150 textos. Muitas ideias que tínhamos já foram escritas…
– Que tal escrevermos textos que já escrevemos, mas de outro jeito?
–  Bom ponto. Gostei da ideia. Como assim, de outro jeito?
– Não sei, mudar uns personagens. Mudar a ordem dos eventos. Escrever numa linguagem mais rebuscada para ninguém entender
– Que negócio de ninguém entender, meu querido! As pessoas já entram aqui no blog e não entendem nada!
–  Já sei!

Todos olharam, atentamente. O novato chamou atenção com segurança de que iria mudar o rumo da reunião e de todas as coisas para sempre.

– Que tal escrevermos textos simples. Ideias que todo mundo já conhece, já lê nos livros de romance e séries? Assim mais pessoas leriam, e recomendariam as Coisas de Pedro para outras pessoas…

Dois segundos de silêncio.

Alguém estava tomando café, e cuspiu tudo na mesa. Todo o time de criativo começou a gargalhar imensamente. Alguns se jogaram em cima da mesa de reuniões. Outros tiraram a gravata e começaram a girar. Bagunçaram o cabelo do novato.

Enquanto isso, o Pedro mexia no Instagram…

Boneca Russa das Realidades

Eu tenho medo de escrever. É verdade. É estranho eu começar o meu centésimo vigésimo nono texto com essa constatação, mas é verdade. Eu explico…

A maioria dos meus textos têm personagens com personalidades e motivações. Tento fazê-los parecer o mais real e palpável possível, mesmo que sejam uma extrapolação da realidade em que vivemos.

E, considerando a realidade em que vivemos com um pouco mais de calma e racionalidade, acabamos percebendo que ela, em si, não é tão palpável e realística. O que estou dizendo é que, analisando friamente o universo em que vivemos, já estamos vivendo numa extrapolação de algo que seria o normal.

Essa normalidade ideal pode estar em outro tempo, em outro país ou em até outra dimensão – dependendo do seu otimismo e ceticismo – com certeza absoluta não é a que estamos vivendo.

Partindo desse pressuposto, as realidades que eu crio, publicando aqui no Coisas de Pedro, podem possivelmente serem reais em alguma dimensão. Então as personagens, as famílias delas, e todos os universos absurdos que eu já criei e demoli podem ter deixado de existir com um simples toque de teclas.

Não, eu não me sinto mal por ter feito ninguém ser assaltado ou sofrido situações constrangedoras nos meus textos. O risco aqui é calculado. O meu medo, mesmo, é ter feito você perder alguns minutos do seu dia e não ter válido à pena. Espero que tenha.

Dois Minutos do seu tempo

Oi!

Eu sou o Pedro, do Blog Coisas de Pedro, e só preciso de Dois Minutos do seu tempo.
Na verdade, preciso exatamente de dois minutos.

A matemática é simples, caro leitor. Um leitor comum lê, em média, 150 palavras por minuto. Isso acontece porque você está lendo as palavras que eu já escrevi, e tem uma voz na sua cabeça repetindo essas palavras. Se você me conhece pessoalmente, é muito provável que está lendo com a minha voz na sua cabeça.

Se você não me conhece, pode estar lendo com a sua própria voz, ou uma voz genérica. Tudo bem com isso. A este ponto do texto já está sendo estranho você ler percebendo essa voz.

Agora está tentando ler sem a voz, e não está conseguindo.

Aqui vai minha dica: Leia sempre com a voz do Selton Mello.

Mas este não é o ponto. A questão aqui é que o brasileiro que ainda lê, mesmo que não entenda 100% do que está lendo, consegue captar e assimilar cerca de 150 palavras por minuto. São pouco mais de duas palavras por segundo.

Em média, um texto do Coisas de Pedro é composto por 300 palavras.

E é por isso que eu só preciso de dois minutos do seu tempo.

Obrigado!