Gerenciando o Tempo Entre as Lives

O tempo é um conceito abstrato.

Já falamos disso por aqui, mas nunca esse conceito esteve tanto em questionamento. Você não sabe se agora é hora de dormir ou de comer. Se você deveria estar acordando agora, ou desligando o computador e saindo do Zoom.

Se você está trabalhando de casa, ou é um dos milhões de brasileiros que estão de férias forçadas no meio dessa quarentena. Se está tendo EAD ou sua escola pública não tem aulas há algumas semanas. Se você já está zerando todos seus jogos de videogame, a Netflix, o feed do Instagram. O tempo agora está até deixando de ser um conceito pra você.

Pra você ter ideia, dia 1° de maio foi feriado. Quantos dias se passaram desde lá? Um mês?! Você sabia que foi feriado? Ou esse dia passou que você também nem viu?

Então aqui vamos para pelo menos duas dicas de como gerenciar seu tempo na quarentena:

Faça uma rotina

Depois de acordar e perceber que já perdeu umas 4 horas do dia, faça uma lista mental de coisas para fazer. Estabeleça um horário parar começar e terminar tarefas, e tente se ater a esse horário.

Depois de terminar uma coisa da lista, olhe para o que você fez. Sentir a satisfação de ter feito algo é tão importante quanto fazê-lo.

Tenha novos hábitos

Com tempo livre a mais a agenda, procure coisas novas para preencher esse tempo. Se o cursinho foi cancelado, e não tem EAD que salve, adicione a leitura de algum livro, ou algum curso online no lugar. Se a academia fechou, faça os exercícios em casa, por mais difícil que seja.

A ideia é preencher as lacunas que o isolamento social impuseram para todo mundo.

Revisite amizades

Procure no Facebook aquele amigo que faz tempo que você não conversa. Mande uma mensagem. Atualize o número na sua agenda, e o contato na sua vida.

É tempo de reatar laços. De reviver memórias e contar histórias.

Mesmo com o comercio reabrindo e a vida aparentemente estar voltando ao normal, ela não está. Ainda precisamos ficar em casa. E usar esse tempo de crise para melhorarmos enquanto sociedade, e enquanto seres humanos

Contágio #9


Episódio anterior

Seu Odair ligou pra filha.

– Passa aqui pra pegar a chave?
– Passo pai. O senhor não vai trabalhar hoje?
– Hoje não acordei muito bem. Uma dor no corpo. Deve ter sido das caixas que eu carreguei ontem.
– O senhor carregou aquelas caixas sozinho, pai? – ela suspirou – tá bom. Eu passo aí então. Mas toma algum remédio pra dor, tá? Se quiser eu levo um pro senhor.
– Não precisa. Eu tenho aqui. – deu umas duas tossidas – Fico deitado um pouco e já melhoro

A campainha tocou, e seu Odair levantou muito rápido para atender sua filha. Acabou tendo um pouco de tontura, mas controlou a respiração. E, na pressa de atendê-la para levar a chave, ficou ofegante.

Seu Odair estava com febre.

Três semanas

Sessenta e dois casos

Um caso suspeito

Curadoria

Primeiramente obrigado a você, que acompanha meu blog e está lendo isso aqui.

Em situações normais de temperatura e pressão eu não publico por aqui com tanta frequência. Isso porque, geralmente, me falta assunto. Eu paro na frente do teclado mais de uma vez por dia, e não me vem nada interessante à mente que eu queira que seja publicado.

Ultimamente tem acontecido o contrário. Estou publicando mais textos por aqui. Mas, mesmo assim, tem me sobrado assunto. De forma que tem tanta coisa acontecendo, que eu não sei sobre o que escrever.

E é por isso que agora, às quintas feiras (dia que eu menos gosto da semana) você terá dicas de conteúdo pra assistir e se informar, passar o tempo e se entreter por aqui. Eu tenho usado o tempo de sobra em casa pra assistir, ler e ouvir bastante coisa. A partir da semana que vem vou usar esse espaço aqui pra indicar livros, blogs, séries, filmes e entrevistas que tem me inspirado e ajudado a passar esses dias tão difíceis com mais leveza e informação.

Acompanhe todas as quintas feiras aqui no Coisas de Pedro, Curadoria.

Irracional

A pequena família pós apocalíptica preparava seu acampamento para descansar. Estavam em viagem para um lugar onde o frio não fosse tão severo, e para isso levariam noites e noites dormindo ao relento. O jovem adulto seria o responsável pela segurança da família durante parte da noite.

Todos interagiram e trocaram as caças do dia. Foram dormir muito bem saciados. A fogueira à meia luz os mantinha aquecidos sob a baixa temperatura da noite floresta adentro.

O jovem, mas experiente vigia, percebeu o farfalhar de alguns galhos na direção sul. Ficou atento e apanhou sua arma de arremesso. Seus olhos se acostumaram com a escuridão de longe da fogueira rapidamente. Seu coração acelerou, enviando mais eneria e disparando todos os seus sentidos para o perigo que ali poderia estar.

Curiosamente, o barulho continuou se repetindo, mas sem novos estímulos. O vigia já tinha enfrentado feras e bestas em favor da sua família, e logo poderia constituir sua própria família. Mas, com o barulho continuando sem novidades, decidiu desdenhar da possível ameaça.

Então da moita sul saiu um felino enorme, demonstrando suas presas, e avançou em um dos membros de sua família. Todos acordaram com o barulho, e fizeram todo alarde. O pai logo decidiu fazer o que seu filho não fez, e avançou acima do guepardo, desferindo-lhe golpes.

O jovem julgou o ataque a um dos membros, junto com a investida agressiva contra o chefe da família, uma perda necessária para o grupo como um todo. Logo a fera irracional, um elemento da natureza, estaria saciada, e não precisaria de mais carne para se alimentar, e iria embora.

A fera irracional se alimentou do pai e de todos os membros da família, incluindo do jovem sábio que decidiu desdenhar da fera questionando “E a viagem? Nós vamos parar agora no meio do caminho?”

Contágio #8

Episódio anterior

Mateus se sentia cansado só de lembrar que no dia seguinte voltaria a trabalhar. Não queria dar desculpas para faltar ao primeiro dia de serviço depois de umas pequenas férias, mas sentia um pouco de dor nas costas e febre.

Antes de ligar o videogame, deixou por um tempo no jornal. Sua mãe fazia crochê na sala.

– A Claudia falou que parece que tem um caso confirmado na cidade, já.

– A Claudia, mãe? De onde que ela ouviu falar?

– Não sei. O pessoal na cidade ta falando…

No jornal, as notícias da demissão do ministro da saúde, e mudanças no ministério. Alguma coisa sobre sermos o único país a substituir o ministro da saúde no meio da maior crise sanitária do século. Todos os canais falavam sobre isso. Bom, na verdade quase todos. Alguns outros indicavam os números de casos confirmados e óbitos nas últimas 24 horas do país. Tudo isso, além de números internacionais.

Todos a queles números, e aquelas reportagens na frente de hospitais pareciam distantes demais para Mateus. Achou melhor ir dormir para estar descansado para o dia seguinte.