Pelo bem do coletivo humano

A coletividade humana é impressionante. Qualquer timelapse de uma avenida movimentada, ou da construção de um arranha-céu ou de qualquer obra monumental deixa claro como os pequenos seres humanos, quando trabalhando juntos, conseguem fazer algo grandioso.

Isso porque o serviço de poucas pessoas já é louvável e merece atenção, como as grandes mentes que iluminaram toda a humanidade durante o Renascimento Científico. Mas o conhecimento científico, acadêmico e em cultural cresceu exponencialmente quando a humanidade começou a agir junta e simultaneamente, com a evolução dos meios de comunicação.

Cientistas dedicam suas vidas ao estudo, à pesquisa, ao desenvolvimento. Soldados dedicam suas vidas ao treinamento e aprimoramento de suas táticas. Médicos dedicam suas vidas ao tratamento e cuidado de doenças terríveis. Publicitários dedicam suas vidas ao cursinho de inglês e longas exibições de séries da Netflix.

Enfim, nunca nada foi pedido com tanta ênfase a pessoas de todas as classes, de todas as idades e formações. Países em línguas diferentes, médicos e biólogos, têm repetido e pedido com toda a urgência possível, que todos façam algo pelo bem do coletivo humano.

Essa coisa que estão pedindo não é fazer exercícios físicos, que para muita gente seria impossível. Não é dedicar sua vida a estudos e pesquisas, ou o treinamento intensivo de qualquer habilidade inalcançável.

Nunca, na história humana, precisamos de homens e mulheres, crianças e idosos, que fizessem algo tão importante para salvar a vida de muitos. E esse pedido não é difícil, não é impossível para a maioria:

Fique em casa.

Processo de Coachzação

A cada minuto são subidas 60 horas de vídeo para o Youtube. A cada ano que passa, mais conteúdo tem sido produzido para Instagram, Facebook, Snapchat, Tiktok e outras inúmeras plataformas e redes sociais que vão surgindo.

Somente em português, são mais de 5,5 milhões de blogs ativos, com conteúdo sendo gerado semanalmente, igualzinho a este blog aqui que você está lendo. Se você não entendeu, são cinco mil e quinhentos blogs… vezes mil.

O Brasil tem cerca de 120 milhões de internautas, e quase metade deles têm um blog. Desses 120 milhões, cerca de 40% escutam podcasts, de 10 a mais de 90 minutos de duração. O dia tem 24 horas, mas a cada dia são subidas 5 milhões de horas de vídeo no youtube, equivalendo a mais de 500 anos.

Se você não entendeu até agora, caro leitor, entenda…a internet está inflada. Superinflada. E ao mesmo tempo, cheia de conteúdo que não existem pessoas o suficiente para consumir.

Há anos vem acontecendo o que eu poderia, com toda tranquilidade, chamar de “Efeito Coach“, ou “Processo de Coachzação“.

Consiste na ideia de que, por exemplo, havia um blog, e dez pessoas seguiam este blog. Agora as dez pessoas têm seus próprios blogs, e agora são onze blogs que centenas de pessoas acompanham e seguem. Já passamos do estágio em que as centenas de pessoas têm blogs, e agora não existe mais ninguém para ler. Assim como já existe coach de tudo, e, se todo mundo é coach, ninguém é coach de coisa nenhuma.

A questão que você, leitor, quer também seja blogueiro, escritor, vlogger, influencer, coach, saiba usar bem o seu tempo. Ou, pelo menos, se preocupem com o tempo que as pessoas que leem seu conteúdo gastam.

Você, por exemplo, está aqui lendo este texto super sério, e meio sem graça. Pode clicar aqui embaixo no link, e ir para algum texto que, talvez, seja mais legal. Eu prometo (ou não)…

Cachorros da rua

O primeiro cachorro latiu porque um bêbado passou na rua. O bêbado nem ligou, e nem ouviu. Enquanto passava, arrastava uma perna, e uma mala com alguma coisa que fazia barulho, e fazia o cachorro latir.

O segundo cachorro, mais pra cá na rua, latiu porque o cachorro da esquina latiu. Não pensou muito bem no porquê de estar latindo, até porque cachorros, em geral, não pensam. Mas ele latiu. Seu companheiro estava latindo, e ele o fez apenas para fazer companhia. Não estava vendo o bêbado.

Muito menos o terceiro cachorro. Ele não via o bêbado, nem o segundo cachorro. O portão da sua casa era todo fechado, e ele latia justamente porque ouvia seus companheiros de latido, latirem. Não sabia o que era nem queria saber. Era seu protesto por ter um portão que não dava pra ver a rua.

Todos seus sentidos eram a audição e o olfato. E o quarto cachorro só tinha a audição, já que era velho, e não conseguia latir muito. Mas ele uivava, e era muito bom nisso.

Após isso, os cachorros cinco e seis, e todos os outros da rua latiam. E foi assim durante meia hora.

Meia.

Hora.

O bêbado já estava em casa. Os cachorros latiam, e nem sabiam para quê ou para quem. Mesmo os que começaram latindo sem saber porquê.

Alguém reclamou alguma coisa no Twitter…

Robô Pedinte #1

Naquela esquina estavam o semáforo, os carros autônomos passando, e o asfalto cansado de tudo aquilo. Ninguém questionou a existência de um semáforo em pleno século XXI, mas também, ninguém notou a presença dele ali. Todos estavam bem atentos às telas de seus dispositivos.

Tanto que não notaram, os transeuntes que por ali passavam, um robô sentado no chão. Era de uma lataria antiga e parecia ser daqueles feitos de ferro. Imersos em suas lentes e telas, e presos a seus fones e dispositivos, não conseguiam ouvir o que aquele pequeno robô parado na esquina tinha a dizer.

Menos o Maicon, que esqueceu o powerbank em casa, e o seu celular já acabou a bateria bem no meio da reunião da empresa. Ele já estava chateado e entediado, porque há décadas todo mundo sabe que ninguém presta atenção em reuniões de empresas, e somente ele teve que prestar atenção, já que não tinha bateria.
Depois de ter recebido uma promoção por isso, saiu em busca de um powerbank ou um carro autônomo para levá-lo para casa. E foi naquela esquina em que ouviu as palavras robóticas vindo do seu lado direito “pode d-dar uma ajudinha, por favor?”

Não dá pra explicar se era a cor da sua lataria enferrujada, o fato de ele ser um modelo super ultrapassado, ou dele estar exatamente ali naquela esquina onde só passavam pessoas presas em suas telas ou carros. Não era o seu discurso, pedindo dinheiro em qualquer quantia, ou qualquer outro tipo de ajuda.

Ele estava lá todo o tempo, mas ninguém percebeu.

Burrice é sinal de Inteligência, diz estudo

Cientistas acordaram muito tarde, e ficaram trinta minutos rolando o feed do Instagram. Depois de procrastinarem um projeto por cerca de seis meses, começaram a analisar o comportamento de pessoas que, assim como eles, tem certa dificuldade em começar coisas, e mais dificuldade ainda em terminá-las.

É difícil dizer exatamente quando o estudo começou a ser feito, já que eles procrastinaram realmente por muito tempo. O que foi bom para a pesquisa, que contou somente com pessoas inteligentes que procrastinam.

O estudo foi feito na universidade de Califórnia, e passou pelas mãos de inúmeros cientistas de diversas áreas, como neurologistas, psiquiatras e psicólogos. Fizeram uma amostra com cerca de um grande número de pessoas, que acabaram ficando com preguiça de contar. Mas, não é por nada, já que eles foram movidos e estimulados por uma pesquisa recente, que dizia que dificuldade em contar números em sequência, e fazer contas de cabeça é um sinal de inteligência.

A divulgação dessa pesquisa se valeu do esforço de inúmeros divulgadores científicos, que acordaram tarde e fizeram seu café hipster. Estes divulgadores foram selecionados à dedo pelos cientistas, já que ela precisava ser divulgada por blogs e revistas de pessoas inteligentes. Acordar tarde, fazer café e ser publicitário são fortes indícios de pessoas inteligentes.

Novos estudos tem aprimorado a nossa percepção do que é um ser inteligente, e graças aos blogs, grupos de whatsapp e posts no Facebook, a divulgação científica nunca atingiu tantas áreas diferentes. Chegamos ao ponto de poder dizer, com total segurança, que quem lê blogs é mais inteligente, sim.