Trocado no aeroporto

Emir era viciado em café. Quando o desejo aumentava algo estava para acontecer. Ele saiu do hospital, situado no bairro do Flamengo, com fraqueza em suas pernas e palidez no rosto, deu dez passos até chegar à rua Antônio Guedes. Embora a temperatura não fosse tão cálida, seu corpo havia transpirado, o que não aconteceu nos últimos vinte dias. Todo ânimo adquirido nas últimas horas … Continuar lendo Trocado no aeroporto

Palavras Matam

Houve um tempo que qualificar as pessoas era apenas uma brincadeira. Não havia penalidade. Caso se queixasse do comportamento alheio, a pessoa poderia ser excluída ou taxada de ignorante. Há dois dias me pego a pensar nisso. A cena ainda me consome, ultimamente, não faço outra coisa, a não ser ruminar aquela história. Sim! Uma história real. Na praça do governador, havia uma agitação durante … Continuar lendo Palavras Matam

Mitsu

Mitsu decidiu continuar pela rua escura e seguir com a brisa do vento. Por um momento observou a casa que esperava a sua volta, meio iluminada para dar a sensação de vida . Mas, hoje Mitsu não voltaria. Talvez tenha sido o vento gelado, tão incomum para aquela época, que cortava seu rosto e esvoaçava seus cabelos, ou talvez tenha sido a sensação de liberdade … Continuar lendo Mitsu

Só Mais Um Dia Normal

Era quarta-feira quando eu tive que ir no sindicato. A camisa branca, colada nas costas e as pernas suadas. O termômetro marcava 32 graus e algumas pessoas me olhavam como se eu tivesse em uma Ferrari, só por causa da roupa.   Enquanto olhava o endereço no celular e me perdia no centro de São Paulo, do outro lado da rua um cara usando óculos de … Continuar lendo Só Mais Um Dia Normal

Uma caixa de sapato selou meu destino

Não estou inventando: saiu no jornal “Em São Paulo, adolescente de dezesseis anos (dezesseis, sim) arma-se com um revólver e abre caminho até alcançar seu direito de ir e vir”. O repórter disse que um casal foi morto. Não posso dizer o nome porque não sou “dedo-duro”, poderia até dizer o milagre, mas sem revelar o nome do santo. O revólver encontrado, era um RT … Continuar lendo Uma caixa de sapato selou meu destino

Gritos e Latidos No Meio Do Nada

Os pulmões estavam no limite, as pernas cambaleando e latejando. Decidi para de correr e continuar caminhando pela beira da estrada.  A chuva forte atrapalhava para enxergar o caminho na escuridão.   Minha mente estava longe, quase não percebi que seguia um caminho cheios de pedras, próximo de um penhasco. Cair ali iria me estraçalhar.   Por mais que tentasse prestar atenção, tudo o que vinha na … Continuar lendo Gritos e Latidos No Meio Do Nada

Palavras em perigo na terapia

Perigo. Política. Polícia. Preconceito. Preto. Periferia. Professor. Papel. Prosa. Perdão. Possivelmente da mesma melancolia e da tristeza estas palavras surgiram durante a terapia. Medo, muito medo. Talvez por contar uma realidade vivida neste país. Neste ápice da obscuridade, vieram dez vocábulos, aos quais me assombram quando penso em unir neste flerte de histórias. Por delicadeza, pedi a voz. Instalo-me próximo a uma janela, com a … Continuar lendo Palavras em perigo na terapia

Cinderela

Poderia começar com os dizeres clássicos de minha infância, por exemplo, era uma vez e depois de sofrer um pouco, teria meu ápice durante minha partida repentina, por descuido deixaria meu sapatinho nas escadas, sem mencionar o beijo apaixonado com felizes para sempre. Este seria o final perfeito, todavia, a realidade é diferente das histórias contadas na escola. Pobre de mim, por desejar tanto um … Continuar lendo Cinderela

Mulher de rua

Acordei com frio e das lembranças recordei quando a professora iniciava a contação de histórias com era uma vez e todas as narrações seguiam até culminar em viveram felizes para sempre. Cresci e percebi o quanto a realidade é diferente das fábulas. Tive que correr porque um tremendo temporal caia aos borbotões. Como desejei estar confortavelmente instalada em frente a uma lareira, onde o fogo … Continuar lendo Mulher de rua