Dias Cinzas

Temos tido dias cinzas ultimamente.

Não somente pelo sentido poético, de dias sem cor e vida. Sem saber ao certo o que vai acontecer no futuro ou sem muita certeza do que está acontecendo atualmente.

Literalmente, o céu tem estado cinza. Em muitas partes do país a previsão do tempo não registrava Nublado ou Ensolarado, mas dizia “fumaça”. Isso é o que todos teremos no céu por alguns dias, até virem as primeiras chuvas da primavera, e nós sabemos o porquê.

Só não sabemos quando vai parar.

Você já ouviu falar do Notion?

Com o passar do tempo eu virei o maníaco da organização. Comecei aprendendo com a minha editora chefe a fazer listas. Ela faz listas para tudo. Resoluções de fim e começo de ano, desejos, tarefas e afazeres, coisas para comprar, livros para ler. Eu passei a amar fazer listas de tudo também.

Depois eu conheci o Trello e OneNote, aplicativos para trabalho em grupo, que sincronizam em todos os dispositivos as notas, fotos, vídeos, links e rascunhos do que você colocar no projeto. Eles eram perfeitos e, junto com o meu bullet journal, eu estava com a organização à frente dos meus olhos.

Sim, eu pesquisei muito sobre bullet journals para fazer o meu. Encontrei blogs que falam só sobre esse tema, e como fazer suas listas, calendários, colagens e diários no formato. Era incrível. Pra mim era perfeito.

Mas, na prática, eu só fazia por poucos meses e parava. Não conseguia manter projetos no Trello dentro do prazo, e abandonava as listas do OneNote. Meu bullet journal? Metade ficou pra 2019, metade pra 2020. Ambos eu parei em maio.

Então eu conheci o Notion. Um aplicativo que junta tudo isso em um só. Eu achei melhor até que o próprio aplicativo do Bullet Journal (já que o Notion é de graça). Com ele você pode fazer listas com pontos, to-do lists para você ticar itens, escrever textos, anexar imagens e vídeos, links com visualização na própria página do aplicativo. Mais ainda, você consegue colocar notas dentro de notas. Eu comecei até a fazer a minha própria wiki, com informações aleatórias e páginas dentro de páginas.

Além de ser gratuito, eu achei o Notion mais leve que o Evernote e Trello, e mais rápido que OneNote. Me adaptei rápido às funcionalidades, mesmo sendo todo em inglês. Hoje eu uso pra gerenciar a minha vida, fazer anotações recorrentes e registrar histórias em uma wiki só minha.

Sério, o Notion é muito bom.

Atenção, este não é um post pago. Se você se sentiu ofendido, procure um médico. Obrigado.

Tá liberado o Streaming

Está todo mundo em casa. Pelo menos se o seu serviço não é essencial, como abastecimento de comida, combustível e medicamentos. Se você não é médico ou enfermeiro. Está compensando mais para a sociedade que você fique em casa, e não saia por aí espirrando e espalhando vírus para todo mundo.

E, se você está em casa, provavelmente está confinado num espaço com menos de 50m2 há mais de quinze dias e, mais provavelmente ainda, está enlouquecendo. Isso porque não fomos feitos para vivermos confinados. Mas também não fomos feitos para voar, e foi assim que a pandemia chegou aqui. Tendo tudo isso em mente, e pensando no bem de seus futuros clientes, muitos serviços disponibilizaram streaming gratuito na época da quarentena.

Vou repetir para você entender:

Você pode assinar serviços gratuitos de streaming neste período em que está em casa!

É claro que não é meu papel aqui fazer propaganda de nenhum serviço, tampouco trazer a notícia completa. Então você trate de pesquisar aí quais serviços disponibilizaram isso tudo. Pra adiantar, tem streaming de filme, de televisão, canais fechados, e até canais de esporte.

O streaming está tão liberado, que tem muita gente usando ao mesmo tempo, o tempo todo, no mundo inteiro. Portanto, não repare se a qualidade do seu filme ou série cair um pouco, porque alguns serviços diminuiram a qualidade e taxa de bits por segundo, visando manter a constância do serviço.

Não sei se você percebeu, caro leitor. Todos os textos nessa série de quarentena estão disponíveis para comentários. Então comente aqui embaixo, quais filmes e séries tem feito sua companhia e te distraído nesse momento?

Pelo bem do coletivo humano

A coletividade humana é impressionante. Qualquer timelapse de uma avenida movimentada, ou da construção de um arranha-céu ou de qualquer obra monumental deixa claro como os pequenos seres humanos, quando trabalhando juntos, conseguem fazer algo grandioso.

Isso porque o serviço de poucas pessoas já é louvável e merece atenção, como as grandes mentes que iluminaram toda a humanidade durante o Renascimento Científico. Mas o conhecimento científico, acadêmico e em cultural cresceu exponencialmente quando a humanidade começou a agir junta e simultaneamente, com a evolução dos meios de comunicação.

Cientistas dedicam suas vidas ao estudo, à pesquisa, ao desenvolvimento. Soldados dedicam suas vidas ao treinamento e aprimoramento de suas táticas. Médicos dedicam suas vidas ao tratamento e cuidado de doenças terríveis. Publicitários dedicam suas vidas ao cursinho de inglês e longas exibições de séries da Netflix.

Enfim, nunca nada foi pedido com tanta ênfase a pessoas de todas as classes, de todas as idades e formações. Países em línguas diferentes, médicos e biólogos, têm repetido e pedido com toda a urgência possível, que todos façam algo pelo bem do coletivo humano.

Essa coisa que estão pedindo não é fazer exercícios físicos, que para muita gente seria impossível. Não é dedicar sua vida a estudos e pesquisas, ou o treinamento intensivo de qualquer habilidade inalcançável.

Nunca, na história humana, precisamos de homens e mulheres, crianças e idosos, que fizessem algo tão importante para salvar a vida de muitos. E esse pedido não é difícil, não é impossível para a maioria:

Fique em casa.

A incrível arte de não fazer nada

Eu me preocupava muito com o mundo que eu deixaria depois de ir embora. Não somente com respeito à poluição, e as toneladas de lixo que eu deixaria por aqui. Não só sobre as árvores que eu desmatei indiretamente, só para escrever meus contos à mão, ou os peidos, das vacas que eu comi, que abririam um enorme buraco na camada de ozônio.

Não era só sobre tudo isso porque, afinal esse é o básico com o que se preocupar, enquanto ser humano vivendo neste planeta de recursos meio que limitados. Se você não se preocupa com essas coisas, deveria começar a pensar nisso.

Além disso tudo, eu me preocupava com a cultura e a arte, que todos sabemos ser essencial pra a raça humana. Não só para a raça humana como um todo, como também para humanos individuais.

Minha preocupação era: Um dia eu vou morrer, e espero ter deixado algo para que as pessoas pensem “é, ele até que era legal”. Foi por isso que escrevi os poemas no meu eBook Quebra Cabeça, e é por isso que existem textos como este aqui. São pequenas marquinhas que estou deixando no universo.

E essa responsabilidade com o universo me pesava, eu confesso. Meu cochilo de sábado à tarde era interrompido pelo ímpeto de “Ei, Pedro, o que você está fazendo aí? Vá escrever e fazer a diferença no mundo!”

A grande questão é que ninguém precisa fazer a diferença no mundo. E, mesmo que você faça, não fará a mínima diferença no sistema Solar. Se você for muuito bom mesmo, e fizer diferença, a galáxia vai sequer saber da sua existência.

É com base nesse tipo de pensamento que minha digníssima me ensinou a incrível arte de não fazer nada. É perfeito. Você para, senta ou deita em algum lugar. E faz absolutamente nada. Não é fantástico? Para mim foi.

E é até hoje. É uma filosofia de vida que me move a não me mover. Aproveitar o momento sem pensar no que poderia ter sido a minha manhã de domingo se eu fizesse um romance barroco ao invés de dormir até 12h.

Essa motivação tem me levado nestes últimos dias de (quase) quarentena, e é por isso que poucos textos apareceram por aqui nos últimos dias. Aproveite a sua também. Descompromize-se.