Beto conhece Clara

Essa simples ideia, que nasceu na minha cabeça enquanto eu usava o banheiro da casa da minha irmã, se tornou um livro quatro anos depois. Eu sabia exatamente como começar:

O centro de São Paulo é sempre cheio. Carros, pessoas e muita gente. Ali acabamos por reparar alguns tipos. Era onde Beto estava e, por um segundo, deixou-se estar. Na avenida passavam um ônibus, um táxi e um Corsa prata e, nesse conciso intervalo, Clara.

Pronto.

Já teria um cenário e o nome dos personagens, o que era um grande avanço (já que sou terrível para inventar cenários e nomes de personagens, e tal).
Eu só não sabia o que seria dali pra frente. O primeiro ano foi cheio de primeiros capítulos. Eu apagava, excluía, começava de novo a partir da primeira cena. Tentei começar de antes, como num prólogo. Também não funcionou. Depois de uns oito meses, consegui o primeiro capítulo definitivo – decidi ser diferentão, e chamar os capítulos de episódios, descobrindo depois não ser tão diferentão assim.
Os dois anos que se seguiram foram longos processos de escrever, apagar e reescrever até ficar bom. Bom não. Minimamente aceitável.
Descobri que escrevo melhor de madrugada. Numa boa parte do ano eu dormia de dia, e acordava de madrugada para escrever. Até que cheguei nos finalmentes…
O último episódio levou mais tempo para ser escrito pela magnitude que tudo estava tomando na minha cabeça. Não foi tão magnânimo assim. Eu terminei, passei dois meses editando, e alguns dias revisando e, por fim, publiquei aqui no blog. É isso.
Eu fiz um livro.

Clara – À Primeira Vista

O centro de São Paulo é sempre cheio. Carros, pessoas e muita gente. Ali acabamos por reparar alguns tipos. Era onde Beto estava e, por um segundo, deixou-se estar. Na avenida passavam um ônibus, um táxi e um Corsa prata e, nesse conciso intervalo, Clara. E Beto simplesmente deixou-se estar.

<<< BETO >>>

Deixemos por uns instantes essa cena e vamos nos concentrar em Beto: Nos seus vinte e um anos e onze meses. Mudou-se para a grande São Paulo aos vinte. A capital não seria a primeira opção para um jovem que cresceu no interior do Rio de Janeiro, se deu bem nos estudos e viajou para outro estado com suas peças de roupa.

-Você têm que estudar, pra ter um futuro melhor que o de seu pai! […] Paulo, você vai conseguir! – dizia sua mãe.

E dona Clementina era daquelas brasileiríssimas, que votam no Lula e tudo. Casou-se com um bêbado quando era nova. Esse veio a ser pai de Paulo. De Minas foram para o Rio, até que o traste morreu de cirrose.

Um futuro melhor que o de seu pai…”

Essas palavras voltavam à cabeça de Beto algumas vezes durante as aulas.

Sua vida até ali poderia ser resumida entre a universidade, a lanchonete no centro, onde trabalhava, e a casa da tia, onde morava. Foi no caminho da lanchonete para casa que ocorreu a cena…

<<< VOLTEMOS À CENA >>>

Os momentos a seguir foram importantes na vida de Beto, então preste muita atenção na ordem:

“Na avenida passavam um ônibus, um táxi e um corsa prata e, nesse conciso intervalo, Clara. E Beto simplesmente deixou-se estar.” Continue lendo “Clara – À Primeira Vista”

Crítica especializada

Agora essa!

A crítica especializada definiu meu livro como ‘razoávelmente bom’! Eles nem sabem que razoavelmente não tem acento. E, também, o que é bom? Eles mesmo disseram que aquele outro escritor era excelente, sendo que é um crápula. Provavelmente nem sabem o que é um crápula. Quem escreveu este texto? Vou ligar pra essa editora. Essa crítica não é especializada em porcaria nenhuma. Classificou meu livro como comédia romântica.

Que absurdo!

É um pseudo-romance. Quem não enxerga isso?

Aposto que sequer leram meu livro. Só leram a sinopse e fizeram essa crítica. Ninguém que leu disse essas coisas. Olha isso: “A obra por muitas vezes se torna cansativa meio a tantas referências e fracas discussões existenciais, que impedem que a história progrida”. Você leu meu livro em dois dias. Achou, em algum momento, cansativo? A história progride justamente nas discussões existenciais. O que esse cara acharia de um livro de filosofia?!

Ele daria duas estrelas pra Platão ou Nietzsche.

Essa crítica, ela não é especializada em coisa nenhuma. Olha isso aqui! Eles deram quatro estrelas e meia pra Crepúsculo. Pra mim dão três. Na crítica do Dom Casmurro dão cinco estrelas, e ficam só falando de como ele é um clássico, e o enigma da Capitu.

Vou ligar pro cara que escreveu isso aqui. Ele não entendeu meu livro. Só pode ser. Amanhã vão comprar esse jornal, e repetir o que está escrito aqui, como se tivessem lido o livro. Hoje em dia qualquer carinha com um notebook se acha crítico especializado. Também qualquer idiota com notebook se acha escritor.

Era só o que faltava…