Ode à alma do felino 

Das cores, o caramelo, chama mais a atenção,
faz-me encolher com meus olhos castanhos.
Quando estou na cadeira de fio, paro a observar,
se jogo um novelo de lã, o mais esperto,
já pula na frente e entende que é hora de diversão.
Do mesmo modo, há aquele que para ser notado
pega sua coragem e passa a comer a ração dos cachorros.
Outra coisa que me fascina é sua liberdade, 
de forma alguma vejo neles traição.
Do telhado ouço seus lamentosos miados, 
alguns caminham em clãs ou solitários,
mas todos de certa forma são carismáticos e independentes.
Se tem algo que admiro é sua preguiça diária,
não como uma rígida filosofia, 
mas como uma completa entrega,
um absoluto estado de ócio. 
Seja na poltrona, no cimento ao sol ou no muro do vizinho,
lá ele estará a espreita para construir novas histórias,
das aventuras nascem filhotes, brigas e machucados,
ao mesmo tempo, são espertos, discretos e admiravelmente limpos.
De tantos sinônimos a serem revelados, 
os que mais admiro é sua malandragem e mansidão,
são elas as que invejo, já que da primeira, 
o homem tira vantagem, a segunda já caiu no esquecimento.
Seja em seus lamuriosos sons ou na metafísica natural,
o homem ainda não conseguiu reconhecer, que do gato,
dá para tirar boas lições e até uma poesia.

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