Vozes na cabeça do escritor

Encheu-se de inspiração e molhou a ponta da caneta com os lábios, levando-a ao pote de tinta preta quando, repentinamente, o narrador parou tudo e disse “Espera, espera…você vai escrever à mão?”

Olhou em volta buscando alguma pessoa na sala vazia. Só havia ele, uma mesa com alguns instrumentos e tralhas de escritor. Daí a voz voltou a dizer “Pelo menos pega aquela caneta bic ali, olha”. Ele estendeu a mão e pegou.

“Muito, mas muito melhor. Olha isso! Nem precisa ficar pegando tinta do tinteiro, e esse negócio todo”.

Ele refletiu alguns segundos olhando para um ponto fixo no horizonte. Ao fazer isso, sentiu-se envolto em uma névoa de mistérios e dragões, princesas e guardiões do …

“O quê?! Calma aí”

Bateu com o punho na mesa.

“Papiro não, cara. Tem um caderninho brochura ali do lado. Pega ele. Já tem as linhas tudo certinho, pô”. Suspirou.

Pegou o caderno com as duas mãos enquanto olhava para cima, expressando claramente a sua indignação. Começou a escrever a sua peça ao punho, deslizando a ponta da caneta esferográfica sobre o papel. Aos poucos palavras começaram a ser formadas junto com diálogos. Um enredo foi se formando à partir de personagens que o escritor ali criara da sua fértil mente de quem consegue…

“Se escrevesse no computador já teria terminado isso aí. Tem um iMac ali do lado, cara. Para com isso, pega ele!”

O escritor, já não conseguindo viver com tantas vozes na cabeça, foi para a cama rolar o feed do instagram.

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