Continua lindo

O Rio de Janeiro tem mais mortes que a China.

Eu não sei se você entendeu lendo apenas o cabeçalho deste texto, caro leitor. E também eu não quero ser aqui o arauto das más notícias, mas é que quando me dei conta deste número, acima de todos os outros, é que entendi a gravidade da situação em que estamos.

Estou dizendo que, em termos de pandemia, é melhor viver numa sociedade comunista num regime autoritário do que viver nestes país da alegria e do carnaval aqui. É disso que estou falando e, se você ainda não entendeu, eu vou repetir:

O Rio de Janeiro tem mais mortes que a China.

Não a cidade, mas o estado.

E, caso você queira fazer alguma conta para relativizar mortes frente à enorme normalização da pandemia, eu vou até te dar alguns dados aqui pra você poder trabalhar: O estado do Rio de Janeiro tem por volta de 16 milhões de habitantes. A China, 1.3 bilhão de habitantes. Está satisfeito agora?

Claro, aqui estou levando em conta a possibilidade do governo da China não estar divulgando o número completo, ou não estar fazendo testes o suficientes, encobrindo casos, e coisas assim. Mas o Brasil também não está divulgando o número completo por não termos testes RT-PCR o suficiente, tampouco conseguirmos coletar os dados com rapidez. Houve casos de mortes que foram reportadas até 60 dias depois do ocorrido. Sessenta dias.

Em dois meses a China entrou em Lockdown, proibiu pessoas de circularem, e monitorou os passos de todos, especialmente dos infectados. A segunda maior economia do mundo parou de girar, trazendo um déficit no seu PIB recorde das últimas décadas, lidou com o racismo e xenofobia, reduziu as mortes a menos de 100 por semana, e as transmissões a pouquíssimas em toda a província de Wuhan. Nós reportamos uma morte nesse tempo.

E, caso você tenha se perdido no meio dos últimos parágrafos deste texto, caro leitor…estou aqui para te lembrar:

O Rio de Janeiro tem mais mortes que a China.

2 comentários em “Continua lindo

  1. É realmente incrível como nossos planos mudam de uma hora para a outra. E esse ano deixou isso bem claro. Aos poucos vamos nos adptando a essa nova realidade, ou vamos levando como podemos. Mas parabéns pelo texto e o blog, gostei bastante.

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