Trabalho do Quinto Ano

Na magnífica Escola Universal para Seres Celestiais, durante a aula de física do quinto ano, todos os alunos apresentam seus trabalhos de fim de ciclo.

Numa interminável aula cheia de trabalhos pífios e chatos, com um vulcão de bicarbonato de sódio, uma bomba atômica de nêutrons, três apresentações exatamente iguais de supernovas, ele vai apresentar seu trabalho.

Não é o melhor aluno da sala, mas também não é o pior. Trouxe uma caixa.

– O que é isso? – perguntou o professor
– Meu trabalho. Fiz durante as férias
– Hum…vamos dar uma olhada nele…

Era uma caixa escura, feita de um material negro, que não podia ser precisamente tocado. Não que isso fosse um problema, já que todos ali eram seres astrais.

– E como funciona?
– Você olha por aqui.
E mostrou um jeito de olhar dentro da caixa, por olhar diretamente à caixa.
– Uau, é impressionante! – disse o professor
– Hum…
– O que é isso? Apresente para a turma.
– Estrelas. Eu fiz estrelas. Se você olhar aqui mais perto, olha…meteoros. Eu juntei vários meteoros, e fiz um planeta. Era frio e cheio de gases, então fiz esse aqui. Mais quente. Próximo a uma outra estrela.

– Interessante…
– Inventei água.
– Como?
– Água. Aqui.

E deu zoom num meteorito formado de água em baixa temperatura.
– Aqui.
Mostrou um planeta azulado.
– Tem muita água aqui? – perguntou algum aluno astral.
– Tem sim. Vê?
E mostrou florestas. Tinha animais lá, e ele teve que explicar o que são a-ni-ma-is.
– E olha aqui. Esse deu trabalho.

Mostrou um homem.

– Uaau! – a classe fez, em um uníssono celestial.

O professor continuava explorando por conta própria em outro canto.
– O que ele estão fazendo?
– Se reproduzindo.
– Que nojo! Assim que eles se reproduzem?
– Foi o jeito mais fácil. Eles gostam. Agora passa mais pra frente.
– Como assim, pra frente?
– Ah é, eu tive que criar o tempo.
– Tempo?
– Sim. Depois explico.

Avançaram no tal do tempo
– Aqui – mostrou o aluno.
Cidades, rodovias. Mostrou plantações e mares. Mostrou também como funcionavam as escolas nesse sisteminha que ele criou.

– E são seres vivos?
– Quase que sim. É.
– Hum…
Fez o professor, com um pouco de desdém pelo trabalho do menino.

– Mas olha aqui… – fez o menino, trazendo a atenção do professor e de seus colegas.

Mostrou a guerra, e eles ficaram fascinados. Mostrou a revolução industrial, os avanços tecnológicos, mostrou a internet e os blogs, o compartilhamento de vídeo, filmes, robôs, a mecânica, a engenharia…

O aluno ganhou um B- pelo seu trabalho.

O professor justificou que a ideia foi boa, a execução nem tanto, e mandou um recado dizendo “Mãe, seu filho é excepcional!”

E aqui estamos nós, vivendo num trabalho de quinto ano.