Press Start

Começou a fase 8 desse jogo maravilhoso chamado 2020. Aperte start para iniciar!

Você tem agora poucos personagens para escolher jogar, entre o deprimido, desesperado, indignado e o desolado. E, como tem sido nas edições anteriores, agosto tem um histórico de não acabar rápido, então: prepare-se.

Parece que já tem um furacão aparecendo por aí além, é claro, das nuvens de inseto e de areia, do óleo nas praias, do desmatamento, da nota de 200 e da pandemia.

É por isso que estamos preparando uma programação excelente aqui no Coisas de Pedro! (Eu gosto de falar “estamos”, porque parece que este blog é composto por uma equipe com super produção). Pra não lotar a caixa de e-mails de quem assina o blog, não teremos exto todo dia. Mas pelo menos um por semana.

Eu prometo falar menos de pandemia, e mais de coisas da vida. Sério. Pelo menos vou tentar. Prometo até me esforçar pra fazer você dar aquela risada falsa que dava quando terminava de ler os textos de 2018.

Aliás, bons tempos, 2018…

aiai

Então tá. Terça feira, às 10h15. Encontro você por aqui para mais um texto.

Me segue no Instagram @coisasdpedro. Nas semanas seguintes talvez tenhamos alguma coisa acontecendo por lá também.

Vírus, não. Patógeno globalizado

Em tempos de Covid, “em tempos de Covid” virou o novo “com o advento da globalização”. Até porque, não haveriam tempos de Covid sem o advento da globalização.

E, como seres globalizados, deveríamos nos comportar como tal. Não só aprendendo inglês ou mandarim, mas entendendo que, acima de tudo, seres humanos são humanos onde quer que vivam. E saber que, apesar da cultura que você faz parte pode modificar o modo como você vive, não muda em nada a latitude e longitude do local do seu nascimento.

As fronteiras entre paises pelos quais lutamos, entramos em guerra e nos engalfinhamos em batalhas pífias de nada valem para um vírus. Ele não precisa de passaporte. Não votou a favor ou contra o brexit, e está pouco se lixando para quem você votou nas últimas eleições.

Chamar o patógeno de “vírus chinês” é equivalente a chamar o cão de pastor alemão, o roedor de “porquinho da índia” ou o urso de demônio da Tazmânia. Não, não. O demônio é da Tazmânia, mesmo. Os outros não fazem sentido algum.

Nós atribuímos intenções às coisas. Faz parte do nosso instinto de sobrevivência entender porque a moita está se mexendo, ou de onde vem o rugido dessa onça, e porque elá está chegando tão perto. No fundo, você sabe que não choveu só porque você lavou o carro ou saiu sem guarda-chuva. Choveu porque as massas de ar e água evaporada se tornaram mais densas que o oxigênio e, portanto, precipitaram. A chuva não está nem aí pra você.

Tampouco o vírus. Ele também não liga se você é descendente de português, italiano, angolano ou nigeriano. Não quer nem saber quantos salários mínimos você recebe por mês, ou qual o carro novo que você comprou.

E, nesse sentido, o Sars-cov2 é bem evoluído. Imparcial e sem preconceito. Muito melhor do que você.

Planos jogados

Eu estava animado para 2020.

Nos primeiros quinze dias do ano eu fiquei bastante tempo sozinho. Aprendi a cozinhar coisas básicas, organizei um planner (ou bullet jornal), comecei a escrever um diário. Aprendi coisas novas no violão e no computador. Planejei coisas para este meu blog. Voltei a fazer exercícios.

Não só voltei a fazer exercícios, como comprei um tênis de caminhada, fui na academia e fiz minha matrícula. Viu como eu estava animado para 2020? Então calma.

Eu assinei seis meses de academia adiantados. Semanas se passaram, e eu mantinha meu planner em dia, bem como meu diário e os planejamentos para o blog. Ao final de Janeiro eu ainda ia à academia 5 dias por semana, escrevendo e lendo bastante quase todos os dias.

E, se você fez as contas, caro leitor…a minha assinatura da academia venceu ontem, dia 13 de julho. Até ontem eu poderia ir à academia, porque tinha pago mensalidades que me manteriam indo todos os dias.

Por volta do dia 13 de março, a pandemia do coronavírus já estava perdendo o controle, e o estado entrou em quarentena. Foram exatos dois meses sem perder academia. Perdi 2 dias, para ser justo.

Depois disso não saí mais de casa. Tampouco fiz exercícios em casa.

O meu planner? Está ali jogado no canto do quarto. O diário eu mantenho, junto com um restinho de sanidade. Dos meus planos para 2020, a maioria se foram junto com meu ânimo para vivê-lo.

Pelo menos, toda semana, nos vemos por aqui.

Obrigado.

Continua lindo

O Rio de Janeiro tem mais mortes que a China.

Eu não sei se você entendeu lendo apenas o cabeçalho deste texto, caro leitor. E também eu não quero ser aqui o arauto das más notícias, mas é que quando me dei conta deste número, acima de todos os outros, é que entendi a gravidade da situação em que estamos.

Estou dizendo que, em termos de pandemia, é melhor viver numa sociedade comunista num regime autoritário do que viver nestes país da alegria e do carnaval aqui. É disso que estou falando e, se você ainda não entendeu, eu vou repetir:

O Rio de Janeiro tem mais mortes que a China.

Não a cidade, mas o estado.

E, caso você queira fazer alguma conta para relativizar mortes frente à enorme normalização da pandemia, eu vou até te dar alguns dados aqui pra você poder trabalhar: O estado do Rio de Janeiro tem por volta de 16 milhões de habitantes. A China, 1.3 bilhão de habitantes. Está satisfeito agora?

Claro, aqui estou levando em conta a possibilidade do governo da China não estar divulgando o número completo, ou não estar fazendo testes o suficientes, encobrindo casos, e coisas assim. Mas o Brasil também não está divulgando o número completo por não termos testes RT-PCR o suficiente, tampouco conseguirmos coletar os dados com rapidez. Houve casos de mortes que foram reportadas até 60 dias depois do ocorrido. Sessenta dias.

Em dois meses a China entrou em Lockdown, proibiu pessoas de circularem, e monitorou os passos de todos, especialmente dos infectados. A segunda maior economia do mundo parou de girar, trazendo um déficit no seu PIB recorde das últimas décadas, lidou com o racismo e xenofobia, reduziu as mortes a menos de 100 por semana, e as transmissões a pouquíssimas em toda a província de Wuhan. Nós reportamos uma morte nesse tempo.

E, caso você tenha se perdido no meio dos últimos parágrafos deste texto, caro leitor…estou aqui para te lembrar:

O Rio de Janeiro tem mais mortes que a China.

Tchau Junho, Oi julho

Oi!

Como está sendo a sua quarentena? A minha estaria sendo ótima, se eu tivesse uma.

Acontece que eu tive dois meses escrevendo textos todos os dias por aqui. Eu gostei do ritmo, e da produtividade, mas precisava tirar um tempo para mim. E foi o que eu fiz durante o mês de junho.

Eu passei bastante tempo dos meses de abril e maio pesquisando informações e notícias para construir os textos que você leu por aqui. Eu falei sobre a importância do isolamento no começo da pandemia, sobre o que você pode fazer para não surtar ao lidar com tudo isso, e até sobre a importância de ser grato pelo que temos. Então eu resolvi tirar uma semana de folga dos textos. Agradeço a você, que me seguiu no instagram e acessou o blog mesmo sem nenhuma novidade.

Junho acabou. O Brasil é top em qualquer gráfico e tabela sobre o coronavirus. Além disso vamos continuar juntos tentando não surtar, pelo menos até dezembro.

Mas um passo de cada vez. Por hora, vamos tentar sobreviver a Julho.